Sábado, 31 de Janeiro de 2009

 

Quão especialmente leve se parece esta noite! Talvez efeito do álcool, que falsamente desafoga os problemas que assombram o próprio luar já de si escondido num astro sombrio. Sem vícios bebo aquele martini da Ordem e uma ou outra mini ali de Sagres. Desprezo justificações de alcoólatras, mas ainda assim temos de reconhecer: que filho de puta de efeito que esta merda tem num gajo… Com isto nas veias até a Senhora Negra da Foice me parece amigável e passível de conversações:

 

 “A senhora bebe comigo? A sua viagem há-de merecer um copo, porque nada levarás, hoje, para o teu Patrão. Não estou disponível para ir ao meu funeral nem para as canseiras que isso me dá e se procuras levar minha alma faz por procurá-la. As gramas de M. branco que por mim já circulam fizeram-na evadir-se para esferas que de tão estranhas não sei, agora, descrever. Talvez seja do álcool. Mas digo-te que são boas…Vá, bebe comigo e deixa a minha sentença para encontros seguintes. Já te disse que hoje não estou disponível para ceifas.”

 

Conversa agradável seria decerto a que travaríamos num cenário a ressacar no dia seguinte. Mas para que nos servirá o álcool no dia seguinte que para além da ressaca não impedirá que a Senhora Negra regresse? O caralho do álcool é porreiro mas é uma vez, mais que isso é entrar no corredor da morte porque, adivinhem, um dia ceifar-nos-ão sem obedecer à nossa vontade, com ou sem Martinis Brancos, com ou sem limão; com mini sagres ou mini super.

música: dire straits:brothers in arms
publicado por Fábio Duarte às 00:35

Quarta-feira, 21 de Janeiro de 2009

Cresci, chorei e sorrindo hoje luto.

É isto o que sei fazer:

Lutar, sacrificar sempre e desde “puto”.

 

Procuro um lugar jamais meu,

Ou teu,

Ou sequer de outro alguém

Que se por pensar Além

Fácil o atribuir de falsas presenças.

Porquê? Quem Te pensas?

 

É isto o que sei fazer:

Viver, criticando,

Sobreviver, berrando,

E exigindo dos outros

Tanto quanto a mim imponho.

 

Viver só assim é permissível:

Procurando o óptimo inatingível,

Lutando por dias singulares,

Para que memoráveis não apenas os seculares,

Que de recordações felizes ou austeras,

Conhecem referências de varias esferas.

 

Não adio a morte,

Antes ordeno a sua data,

Que para limites impensáveis,

Fáceis os dias e bem mais agradáveis,

Me permitem vida sem abrupto corte.

 

É isto o que eu sei fazer:

VIVER pensando.

 

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publicado por Fábio Duarte às 22:38

Domingo, 18 de Janeiro de 2009

Introdução:

 

Está montado novo circo. Finalmente a líder do PSD veio falar à comunicação social e, em três dias, ateia de novo uma discussão que já começa a estar gasta. O projecto do TGV, que vem sendo conduzido a baixíssima velocidade, está de novo na ordem das confusões e do “diz que disse” deste palco político comediante. Manuela Ferreira Leite garante que, se for governo [:D hilariante], o TGV pára imediatamente, se é que até lá já andou alguma coisa!!! Dias depois da sua severa intervenção contra o Governo actual e contra a sua politica de combate à crise, esta senhora apontou o dedo ao Sr. Engenheiro por ter ido pedir apoio e criticas a Espanha que por cá fizessem Eco. Pois bem, ao que a TVI relata, o correspondente espanhol (e não enviado especial, pontual) recolheu opiniões de todos os grupos políticos espanhóis, contrariamente ao que a Drª Manuela insinuava. Regurgitando, claramente, oportunismo político a líder do PSD fica muito mal numa fotografia tirada junto ao “slogan” de um “congresso de pré-campanha” que apelava à verdade.

 

 Apontamentos breves:

 

Podendo concordar com a ex-ministra das finanças, que votou o projecto quando era Governo, quando considera que o investimento no TGV é muitíssimo elevado e pode pôr em causa a sustentabilidade a médio-longo prazo, não posso, contudo, deixar de pensar que Portugal tem agora o último apeadeiro para apanhar o comboio da UE.

 

Que a recuperação da nossa economia terá de passar inevitavelmente pelo reestruturar do sector privado, já todos entendemos, mas a forma de o impulsionar é muito discutível. Quanto a mim, parece-me necessário criar, em primeiro lugar, infra-estruturas que, a par de politicas de incentivo fiscal, terão, no futuro, importantes frutos no investimento directo estrangeiro e consequentemente na estrutura deficiente dos sectores privados. Não é ao acaso que a Europa e os EUA estão a apostar forte no investimento público, única área que no momento consegue financiar o crescimento. É certo que a OTA (que agora é Alcochete) e o TGV são projectos ambiciosos e que nos vão causar um elevado endividamento, quando a capacidade nesta matéria é já reduzida, mas é preciso crer que estes são passos importantes para a retoma. Investimentos como este são fulcrais num país que conhece um grave atraso face à grande maioria dos seus parceiros comunitários. Acredito seriamente que a criação de riqueza e de emprego terá de passar inevitavelmente, a curto prazo, pela intervenção dos Estado, em particular neste país. Não obstante o actual executivo não deverá ignorar que estes investimentos deverão ter um acompanhamento sensível em matéria de empregabilidade, uma vez ser necessário garantir que a criação de postos de trabalho não será fortuita e ocasional. Importa garantir continuidade às políticas económicas e sóciais que começam agora com este plano anti-crise.

publicado por Fábio Duarte às 18:38

Quarta-feira, 07 de Janeiro de 2009

Portugal entra oficialmente em recessão, anunciava hoje a SIC chamando a si dados do Banco de Portugal. Acontecimento aparentemente previsível para todos, inclusivamente para o nosso Primeiro-Ministro, reflecte que por cá afinal a economia se comporta como no resto do mundo (desta vez interessava que pelo menos o comportamento divergisse). Repare-se que, como Sócrates sublinha, EUA, Japão, Rússia e Europa estão em simultâneo em recessão o que constitui “uma crise que acontece uma vez na vida”. No entanto há, para cá da fronteira, noticias de pequenas bonanças que surgem da crise. De acordo com dados recentes do Banco de Portugal o contexto de actual crise vem dar, segundo Vítor Constâncio, poder de compra aos Portugueses. Este facto, que nada estranha, justifica-se por uma previsão da taxa de inflação em 1%, para este ano, bem abaixo dos 2,9% de crescimento salarial. Não obstante não devemos ficar-nos apenas por uma análise tão simplista e assim crermos que da crise vêm bons ventos. Não é tão linear assim.

 

Se a queda dos combustíveis e a consequente descida da inflação alivia um pouco os custos das compras não devemos ignorar que o cenário de crise não potenciará, na minha perspectiva, um aumento da procura. Pelo contrário. Apesar de preços mais baixos e taxas de juro que apetecem para investir o que é facto é que não acredito que esta conjuntura de grande instabilidade convença a população a comprar. Com preços mais baratos e uma retenção de capital das famílias para poupança as empresas conhecerão menos procura e por isso poderão ver-se obrigadas a cortes de produção e, concludentemente, a despedir funcionários. Creio assim que, apesar do aumento do poder de compra talvez seja de esperar um inevitável aumento do número de desempregados e dessa forma os 2,9% de actualização salarial nenhuma diferença farão a quem nem um salário aufere. O principal problema desta crise é que parece forçar a entrada num ciclo vicioso que só nos mostra um buraco negro que pouco augura a esta população já habituada a ter de “apertar o cinto”.

publicado por Fábio Duarte às 23:08

Terça-feira, 06 de Janeiro de 2009

O que me tens, “Homem” que caminhas no escuro?

Qual fim é o de quem, sozinho e por mim, marca meus trilhos inaugurando novos caminhos que tão pouco ou nada auguram? Fatídico é o final que, para além de almofadado e gelado (como o que a todos espera), parece garantir-me apenas trágicas epopeias, ou no singular se não finda a primeira. Por onde passarás tu, pessoa fria de quem nem tão pouco a nuca conheço? Porquê crer que em tuas vontades se justificam meus acontecimentos e, por isso, deixar à tua mercê minhas escolhas e suas consequências? Não… não te admito em minha vida nem como esquadro que minha rota traça. Não te admito como alegação de qualquer facto. Não te admito…Destino.

 

publicado por Fábio Duarte às 23:23

Domingo, 04 de Janeiro de 2009

 

Adulterinas as realidades que nos contam. Qual Pai que és Natal, qual Coelho que “desovas” chocolates, qual amizades perpétuas. És falsa, vida que pregas verdades imaculadas por crenças e caracterizações lerdas. Desacredito quase tudo, até o que todos chamam de amizade ou pelo menos aquilo que o dizem ser. Alguém sabe o que isso é? Há quem me seja capaz de expor uma sequer que seja como todos teorizam? Há lá sentimento passível de teorizações, adjectivações e classificações realistas?!!! Tontos, todos nós. Falso… todos os relatos são falsos. A verdade tem apenas única fonte e essa é intangível. Não é sequer a gramática dos povos capaz de a definir.

 

Amizades, como as caracterizam, poucas há e são-nas apenas enquanto perdurar o mesmo relacionamento em que basearam a sua concepção. Os Dicionários e os pregadores esquecem-se dos tempos, dos contextos, dos estados de espírito e da disponibilidade que obrigam cortes radicais com rituais que sustentam essa relação. A perda da presença física não é disso bom exemplo? Quantas amizades perduram com vaga presença física? Apenas as que desse forma começaram. E estas serão, conceptualmente, verdadeiras amizades? Talvez verdadeiras… talvez não conceptualmente. Que amizades conheceis e acreditais perpétuas? Algumas, de certo. Quantas delas são estanques como a caracterização estúpida que nós, Homens, procuramos relatar, como que se houvesse necessidade em classificar os sentimentos? Nenhuma, de certo.

 

publicado por Fábio Duarte às 15:17

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