Quarta-feira, 07 de Janeiro de 2009

Portugal entra oficialmente em recessão, anunciava hoje a SIC chamando a si dados do Banco de Portugal. Acontecimento aparentemente previsível para todos, inclusivamente para o nosso Primeiro-Ministro, reflecte que por cá afinal a economia se comporta como no resto do mundo (desta vez interessava que pelo menos o comportamento divergisse). Repare-se que, como Sócrates sublinha, EUA, Japão, Rússia e Europa estão em simultâneo em recessão o que constitui “uma crise que acontece uma vez na vida”. No entanto há, para cá da fronteira, noticias de pequenas bonanças que surgem da crise. De acordo com dados recentes do Banco de Portugal o contexto de actual crise vem dar, segundo Vítor Constâncio, poder de compra aos Portugueses. Este facto, que nada estranha, justifica-se por uma previsão da taxa de inflação em 1%, para este ano, bem abaixo dos 2,9% de crescimento salarial. Não obstante não devemos ficar-nos apenas por uma análise tão simplista e assim crermos que da crise vêm bons ventos. Não é tão linear assim.

 

Se a queda dos combustíveis e a consequente descida da inflação alivia um pouco os custos das compras não devemos ignorar que o cenário de crise não potenciará, na minha perspectiva, um aumento da procura. Pelo contrário. Apesar de preços mais baixos e taxas de juro que apetecem para investir o que é facto é que não acredito que esta conjuntura de grande instabilidade convença a população a comprar. Com preços mais baratos e uma retenção de capital das famílias para poupança as empresas conhecerão menos procura e por isso poderão ver-se obrigadas a cortes de produção e, concludentemente, a despedir funcionários. Creio assim que, apesar do aumento do poder de compra talvez seja de esperar um inevitável aumento do número de desempregados e dessa forma os 2,9% de actualização salarial nenhuma diferença farão a quem nem um salário aufere. O principal problema desta crise é que parece forçar a entrada num ciclo vicioso que só nos mostra um buraco negro que pouco augura a esta população já habituada a ter de “apertar o cinto”.

publicado por Fábio Duarte às 23:08

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