Sábado, 29 de Janeiro de 2011

Começo a gostar deste Jovem, Futuro PM de Portugal, Passos Coelho. Não esperava, confesso, o distanciamento da campanha para a PR que manteve até ao fim, cumprindo apenas com os serviços mínimos de apoio público na campanha. E isso foi importantíssimo para Cavaco e para o próprio Passos Coelho. Cavaco, é certo, tinha a máquina montada e a história política a favor de quem garante (sempre) um segundo mandato na PR. Cavaco não precisou, portanto, de Passos Coelho. No entanto este podia ter assumido aquela posição de impaciência, que eu até esperava, e de certo modo se justificava num Jovem líder político de um grande partido. Inteligentemente, parece, que se manteve à margem e adoptou o discurso de que PS tinha condições de governar mesmo que Cavaco ganha-se as eleições de 23 de Janeiro. Disse até que, à imagem do que fez com o PEC e com o OE2011, o PSD poderá deixar passar outros diplomas em prol do interesse público. Podia ser mais fácil chumbar medida anti-populistas e embandeirá-las como “slogan” da luta do PSD contra o PS ganhando já a Governação nacional. Mas não o fez. E muito bem. Tem se mostrado paciente e mais cauteloso quanto às suas considerações sobre a entrada do FMI.

 

Como eu disse dias antes das eleições para a PR, temia um clima político complicadíssimo depois da vitória de Cavaco Silva. Equivoquei-me, para grande surpresa minha. O  responsável? Entre outros: Passos Coelho. Tem andando a trabalhar (bem) nos basteadores da política, aconselhando-se, ganhando apoio e substancia. Li hoje que Passos foi aconselhado a reduzir o tamanho do Governo, fazendo fusões entre ministérios e fazendo outros desaparecer. Uma medida que, em comunhão com a sua ideologia, poderá agilizar o funcionamento do Estado e, por conseguinte, da economia. Fala-se já, do nome de Eduardo Catroga. E este senhor dá, e de que maneira, confiança a quem afiança o voto no PSD nas próximas legislativas. Estarei atento aos passos de Passos.  

publicado por Fábio Duarte às 14:51

Terça-feira, 18 de Janeiro de 2011

Esta semana o meu olhar contínua, inevitavelmente, centrada na esfera política. Li hoje, na edição do Jornal de Negócios (18Jan) uma nota positiva na apreciação ao trabalho de José Sócrates e Teixeira dos Santos no trabalho que têm desempenhado na reconstrução de uma imagem credível junto dos mercados internacionais. O jornalista responsável pela notação atribui à obstinação, teimosia e persistência dos dois membros maiores do Governo a justificação pela estabilidade actual da nossa imagem política e económica. Se grande parte dos jornalistas tem, em grande parte do tempo, criticado essa obstinação eu, pelo contrário, tenho dito sempre que é desta fibra que um politico tem de ser feito. Se é um defeito para um comum cidadão, não o é, de todo, para alguém que tem de viver diariamente de pressões, correntes e contra-correntes.

 

A maior virtude deste primeiro é a sua obstinação. Não é por isso que o Pais tem vivido tempos conturbados, creio. Se os nossos problemas são, para além de económicos (agora de estrutura), políticos, muito se deve ao péssimo trabalho jornalístico que induz ciclos de guerra política. O artigo a que me refiro fala em estabilidade graças à persistência dos líderes. Eu falo em estabilidade do governo graças à instabilidade das presidenciais. Uma vez encontrado outro foco de interesse, os media têm deixado em paz os governantes e isso nota-se na estabilidade, mais que na fotografia.

 

Temo o choque político do fim das eleições presidenciais no próximo domingo, independentemente de quem ganhe. A instabilidade e a pressão jornalística e da oposição vão voltar ao governo e ele, convenhamos, estão a mostrar trabalho. Muito e difícil trabalho.

 

Em relação ao perfil de Sócrates acredito que, no futuro, será encarado como um enorme politico e um bom primeiro-ministro que, pese a culpa que tem, se debateu e gladiou como poucos pelo nosso país e pela nossa independência politica, embora que já limitada. Acredito que este não se abdicará do seu lugar a troco de cargos ou pressões externas de momento como já aconteceu.

publicado por Fábio Duarte às 17:57

Segunda-feira, 10 de Janeiro de 2011

Olá a todos e sejam bem-vindos ao meu blog que, por estes tempos, tem tido tanta actividade quanto a do vulcão dos Capelinhos nos Açores. Ou seja…nenhuma. A verdade é que a culpa nem é minha. De facto, como já terão percebido, eu guardava parte deste espaço para exercer alguma sátira a um tema que, sendo sério, era tratado por muitos como se se de um scketch dos Gato ou dos Contemporâneos se tratasse. Mas ultimamente os jornalistas, os políticos, os comentadores e os treinadores de bancada têm feito a minha parte com uma espectacularidade que eu não conseguiria reproduzir nem na hora mais iluminada. De qualquer modo, aproveitando este ambiente político, eu prometo que este post marca o reinicioo deste blog adormecido. É alias sobre as eleições presidenciais que me proponho falar, hoje, aqui. Apesar de ainda só agora ter começado o período oficial das campanhas eleitorais, o facto é que ainda não sei para onde vai pender o meu voto. E digo isto com a maior das preocupações uma vez que não encontro até agora um inquestionável candidato. Senão vejamos. O Dr. Cavaco Silva parece, agora, que tem um ciclo de amigos e apoiantes que poderiam muito bem construir a versão romanciada da máfia italiana. Não obstante tenho de admitir que não desgostei do seu trabalho neste último mandato. Mas com este ciclo de amigos e depois de ter admitido que fará uma presidência activa receio que no próximo mandato seja o Presidente da República a governar neste país. Bem, talvez se mande para casa o PM e com isso poupar um ordenado mensal... Menos mal. Depois o Manuel Alegre. É um candidato que sendo poeta-escritor parece sofrer do mesmo mal de Fernando Pessoa, o que me preocupa. Já me dei conta de pelo menos dois “heterónimos”. O Manuel poeta, resiliente, sossegado e ponderado e, ultimamente, o Manuel Rezingão que berra, berra, e berra sempre sobre o mesmo tema, o único aliás, que lhe vem à cabeça para atacar Cavaco Silva. Ainda assim, como ex-membro da Juventude Socialista, eu deveria apoiar este candidato. Espantados? É verdade. Fui membro da Juventude Socialista durante (recordo-me perfeitamente) cerca de 2 horas e 45 minutos que foi o tempo da primeira (e única) reunião a que voluntariamente presenciei. Depois daquelas 2h45m fartei-me de tanto brincar e arrumei os Sócrates; os Passos Coelhos, os Cavacos, os Jardins e os Gamas em borracha minimal e voltei à “minha vida politica” real e ponderada fora do recreio da JS. Bem, depois penso em Francisco Lopes, apoiado pelo PCP. Amigos, aquele Senhor, e aquelas Ideologias não existem, sejamos francos. Existem mesmo? Se vocês me dizem que “Olha que sim Fábio, o homem diz aquilo com tino e com seriedade”, então aí deixam-me seriamente perturbado. E olhem que para eu ficar perturbado com cenas à lá PCP é obra. Experimentem fazer uma pesquisa no Google.pt colocando “pcp” apenas. Verão que um dos primeiros resultados, se não o primeiro, é “pcp tortosendo”!? Pois é! Tortosendo é a minha terra natal, onde ainda resido, concelho da Covilhã, onde o comunismo foi sempre vivido no seu esplendor. Se ainda assim é motivo para ficar perturbado com o que oiço, vejam bem o que ele deve dizer. Não me parece, portanto, que seja para este lado que vá pender a minha cruzinha! Simpatizo bastante com o Dr. Francisco Nobre. Bastante. Mas cada vez que o vejo no âmbito político fico meio atónito. Não é só falta de jeito…é também escassez de capacidade politica que, sinceramente, deve pautar cada intervenção de um PR. Mas aquela graça do Nilton deixou-me a pensar: “Se o País está doente, então precisa de um médico”. E aqui entra também o Dr. Defensor de Moura. Ele também é médico. Mas também tem uma conduta política reconhecida pelos vários mandatos como presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo. Seria, portanto, um bom candidato, não concordam? Mas como sempre há um “mas”. Alias, neste caso, há dois! Primeiro: Diz-se ser um presidente preocupado pela causa dos animais e seus direitos. È bonito. Mas por isso proibiu a prática da tauromaquia no concelho que presidiu. Fazer isto a todo o país…deixa-me a pensar. Outro “mas”: ele enquanto candidato a PR devia ser defensor do povo português. Mas não. Ele é Defensor de Moura! Acho no mínimo discriminatório. Então este é um candidato pelas minorias? Pelos Moura? Se calha a ser “Defensor dos Mouros” caía em graça e eu, sendo benfiquista ainda votava nele. Alias, calhando, teria 6 milhões de Portugueses a votar nele, o que o tornaria numa espécie de PR simultaneamente com o estatuto de Co-Presidente do SLBenfica. Mas sendo que é Defensor de Moura, e contra touradas… Há ainda José Manuel Coelho, um madeirense que me diverte quando fala. Não percebi bem se ele se candidata a PR ou antecipa tempo de antena para queimar Alberto João Jardim nas próximas eleições para a Região autónoma. Se for esta última, força caro amigo. Assim é que se faz. Sempre gostei de pessoas com visão e que jogam à Mourinho, colocando a defesa logo na área do adversário, mesmo que a bola ainda esteja no apanha-bolas. Percebem agora a minha frustração? Eu já devia ter tomado uma decisão. Mais grave nisto tudo é que, e sublinhe-se, desde que eu tenho capacidade de exercício do direito ao voto, voto sempre em quem ganha. Sejam eleições ou referendos. Onde eu ponho a cruz, ganha. É verdade. Presidenciais, Referendo ao Aborto, Autárquicas, Legislativas. É por isto que eu mal consigo dormir. Eu sinto o peso da democracia nos meus ombros e não consigo decidir-me. Vamos ver e sou responsável por milhares de euros de desperdício em fundos para financiamento das campanhas. Se eu já me tivesse decidido era simples. Sabia-se já quem ganhava, paravam já as campanhas, os outros candidatos desistiam, evitava-se segunda volta e novas eleições e com tudo isto que se pouparia ao país, Portugal suportaria o custo da divida num nível mais elevado que o actual e evitava a entrada do FEE e do FMI. Vai-se a ver, voto em branco e pronto. Vai-se a ver e ganham os brancos !!! Vai-se a ver…

publicado por Fábio Duarte às 22:39

Terça-feira, 09 de Novembro de 2010

Em véspera de, muito provavelmente, o juro da dívida soberana atingir os 7% (vi agora que está nos 6,9% máximo histórico) com a emissão de divida marcada para amanha decidi deixar aqui apenas um pequeno e breve desabafo. Amanhã de manha voltará a obsessão pela entrada FMI em Portugal. E com alguma razão, julgo! Mas não é tudo no que diz respeito a obsessões e preocupações, pelos menos minhas.

 

Preocupam-me igualmente as amizades que este país tem andado a fazer. Portugal tem-se tornado pródigo em brilhantes parcerias geopoliticas que, no futuro, nos tornarão num centro geoestratégico. Digo isto no pior dos sentidos. Sendo directo: amizades profundas e paixões assolapadas com a Venezuela têm servido, por agora, para vender Magalhães e Navios que outros não quiseram. Amizades com o Gigante Chinês servem para aliviar um problema da venda de divida soberana, por agora. Não obstante tem por contrapartida a participação no capital em dois dos maiores grupos portugueses com uma história pública: EDP e PT. Talvez nem a banca se safe. Com isto, de futuro, não se deve negar o perigo da fuga de capitais inerentes à participação nos resultados de empresas estrangeiras. Em termos simples é assinar um contrato de expedição contínua de lucros para a China.

 

Há outras contrapartidas invisíveis por detrás destas amizades que friso a título de exemplo. Na Venezuela servirão para aumentar o ego e o poder político de um líder de uma pseudo-democracia onde cabem muitos portugueses insatisfeitos. No caso da China esta amizade deverá pagar votos em órgãos políticos internacionais a favor do cada vez maior gigante asiático.

 

Preocupem-se também com isto!!!!

publicado por Fábio Duarte às 17:27

Quarta-feira, 30 de Junho de 2010

Formatados dias os que se me abeiram

Os mesmos que me prometem o descontrolo

E me privam dos dias que outros não queiram

Os mesmos que, por ventura, me farão do futuro desolo.

E muitos gritam: “não te queixes, foi por dolo!”

 

Dolo por onde me perco, e me cego, e me mato.

Eu que, no fundo, sempre disse querer tal trato…

Dolo que fará da vida restrito espaço

como que prezável e complexa minuta

Mas tivera eu escolhido outro traço

e ainda aqui estaria escrevendo…vida “puta”!!!

 

Escrevo por lamento sucesso

Que até ao fracasso pouca distância me guarda

E aí sim…eu me “meço”

E já morto eu me mato…de espingarda.

 

Nada de novo no receio por meu fado,

Agravado se me provir como ignóbil

Futuro pelo que já agora me enfado

E pelo que tanto empenho tempo, e espaço, e vida imóbil.

publicado por Fábio Duarte às 01:14

Sábado, 20 de Março de 2010


PROGRAMA À ESQUERDA, GOVERNAÇÃO À DIREITA

 

Ainda que, confessamente, não tenha lido o programa eleitoral do PS para a presente legislatura será obvio, por demais, que a sua linha de construção tenha sido tendencialmente de esquerda procurando não só respeitar a sua matriz ideológica como, também, demarcar-se de uma direita que, garantidamente poucos votos lhe daria. Quis, por tanto, ser fiel a si mesmo e “roubar votos” aos partidos políticos à sua esquerda. Em primeiro lugar, venceu. Sem maioria absoluta, é certo, mas venceu. Resultado da estratégia definida no programa, no seu verdadeiro sentido, resultado de imagem ou por descrédito das alternativas não se saberá muito bem. Estou no entanto convicto que a que pesou menos, num país inegavelmente inculto, terá sido o programa eleitoral.
 

 

Como foi já frisado também eu não li o programa eleitoral. Em boa verdade pode até ter sido indispensável. Fui acompanhando e, como seria de esperar, foi entendível um plano à lá PS, ou seja, feito de preocupações sociais, protecção ao trabalhador, investimento público e manutenção do seu peso na economia à boa maneira da sua matriz.
 

No entanto o que se tem visto tem sido, de todo, um esquecimento desse seu programa, resultado, alegadamente, da crise internacional, quebra de confiança dos mercados internacionais e necessidade de cumprimento das metas estabelecidas no Pacto de Estabilidade e Crescimento definido pelo Eurosistema. Tudo isto veio, volto a frisar, alegadamente, a merecer a necessidade de consenso alargado implicando sucessivos recuos de intenção do partido socialista face às exigências do PSD e do CDS-PP. Obviamente que isso implica e justifica o conhecido desvirtuar da programação PS. Apesar de tudo aplaudo a atitude de um PS que tem tentado o diálogo. No entanto há que perceber que na procura de agradar a todos e atender a uma multiplicidade de objectivos também as restrições aumentam na mesma proporção que as distracções políticas.
 

Hoje, como todos sabemos, este desvirtuar de ideologia do PS, desde o orçamento de estado, e a obsessão pelo cumprimento das metas europeias, foi motivo de uma proposta do PEC completamente fora do contexto de esquerda por si proclamado em eleições. Veja-se os cortes e limitações sobre os subsídios de acção social sem carga contributiva. Proclamou-se o aumento da protecção dos desempregados e das famílias carenciadas, hoje reclamam-se medidas contra-natura do PS que desprotegem o desempregado. Mais, privatizar as boas empresas, as que dão lucro ao Estado e contribuem para a redução do deficit, não me parece de um governo socialista. De facto não o é, até porque tem sido um governo PS-PSD-CDS. De socialismo não poderia ter muito. Tudo isto para reduzir a despesa. Apenas para falar no mais polémico…
 

Apesar de tudo há neste PEC coisas acertadas que, apesar de serem antipopulares, devem ser coordenadas de forma vigorosa. Crescimento salarial abaixo da inflação esperada. Isto parece que tem já em linha de conta a baixa de produtividade e, assim sendo, faz todo o sentido remunerar o trabalho decrescente com salários reais igualmente decrescentes. Não obstante Preocupa-me bastante que, pela forma indiscriminada como isso foi indicado, se afecte a classe baixa com reflexos complexos e duradouros no poder de compra e agravamento das situações de carência. Parece-me mais justo escalonar as taxas de crescimento nominal dos salários, penalizando mais a classe alta e média-alta. Salvaguardo, no entanto, que percebo a medida que, como tive já oportunidade de o referir noutro post, vem no seguimento das indicações do FMI. Apenas julgo merecer uma reflexão mais atenta em matéria particularmente sensível.
 

Em relação ao anuncio de não aumento de impostos permitam-me dizer que o Primeiro Ministro não ficou bem na fotografia. A verdade é que não haverá aumento de taxas de imposto, mas haverá efectivamente um aumento da carga fiscal de tal modo que, em sede de IRS, esse aumento de carga fiscal poderá chegar aos 700euros/anos para o escalão mais elevado, segundo dados do BP. Isto não é aumento de impostos?! E mesmo em relação ao não aumento de taxas de imposto isso é igualmente discutível, já que se sabe da criação de mais um escalão do IRS que fixa nova taxa máxima em 45%. Percebo a necessidade em minimizar as deduções fiscalmente aceites e aumentar a liquidação de imposto, só não percebo a falta de honestidade. Ficaria melhor ao meu primeiro-ministro mostrar claramente o objectivo traçado em vez de se aproveitar da ignorância crónica do nosso povo.
 

Admito muitas críticas à proposta do PEC, que sinceramente julgo que ainda vai sofrer alguns acertos pontuais, mas com uma oposição tão fraca e oportunista quanto a que se conhece torna-se mais difícil concentrar atenções no que realmente é merecedor de reflexão e ponderação política, social e económica.

 

 

 

LEI DA ROLHA
 

 

O PSD aprovou a “Lei da Rolha” proposta pelo ex-primeiro ministro Santana Lopes. Numa palavra: Ridículo.
 

A “Lei da Rolha” vem basicamente dizer-nos: calem-se as vozes que desestabilizam o partido, calem-se as vozes dos “democratas” para que se saia e suba à “cadeira-maior” do partido tranquilamente e sem grandes sobressaltos. Deixem para época de eleições legislativas as críticas aberrantes que aí sim não haverão problemas de maior! Sinceramente….repetindo-me: RIDICULO. No Poder, a conseguirem merecê-lo, quererão a lei do amigo Óscar Bruno (OB)? Aquele da zona tampão…!!!???
 

publicado por Fábio Duarte às 02:35

Sábado, 06 de Fevereiro de 2010


Já o ano vai a caminho do seu terceiro mês e o OE 2010 ainda não está completo, tanto mais agora com a nova dificuldade de consolidação orçamental que a Lei das Finanças Regionais impõe. Com isto também a discussão sobre as actualizações salariais continua acesa. O Estado, enquanto patrão, já fez saber aos seus empregados – função pública – que face à realidade não haverá aumentos o que se traduz numa perda de salários reais. Parece-me consequência mais do que óbvia não apenas da crise económica estrutural (já não conjuntural) mas também, e principalmente, da forma deficiente como tem sido gerido este sector. Há anos que todos os partidos políticos reconhecem que o peso do Estado como empregador é um verdadeiro absurdo e induz perdas significativas de produtividade unitária do trabalho. A dificuldade em solucionar o problema vem dos impactos sociais e até económicos que isso traz no curto prazo. Com isto continuamos a por em causa a competitividade do sector público versus privado e a sustentabilidade do primeiro a longo prazo.

Sobre os salários o FMI já fez saber, numa recomendação séria, que a recuperação dos índices de competitividade nacional terá inevitavelmente de passar pelo corte da massa salarial dos vários sectores da economia, não só do público. Mais, é uma recomendação ao salário nominal, não real. É uma recomendação dura, talvez, mas sensata, por certo. Veja-se que os salários têm sido actualizados face à inflação esperada o que, por si, coloca as empresas no papel de financiador desse aumento salarial que antecede a inflação efectivamente verificada e reflectida nos seus circuitos de custos-proveitos. Mais importante que isso é verificar que os aumentos salariais têm ignorado a evolução da produtividade. É imperativo que se reconheça que nos últimos anos os salários têm aumentado, mesmo em termos reais com uma inflação abaixo da esperada (em 2009), e a produtividade tem seguido uma tendência de decréscimo significativo. Com efeito, os custos unitários têm aumentado de forma progressiva penalizando as empresas que, colocando menos bens/serviços no mercado por cada trabalhador, consomem mais horas de trabalho e mais caras. Isto é desde logo o primeiro motivo de perda de competitividade externa pela necessidade em ver reflectidos nos preços este acréscimo injustificado nos custos operacionais das empresas.

Estima-se que, para acompanhar a queda da produtividade, os salários nominais tenham de ser cortados em um e meio pontos percentuais. Se tivermos como referência uma inflação esperada de 1%, esse corte representa 2,5% nos salários reias!!! Perceba-se que esta é uma medida de excepção mas que começa a parecer-me inevitável a menos que comece a indexar-se os salários não á inflação esperada mas sim à produtividade verificada para cada sector produtivo. E ainda assim fazer-se um pré ajuste não era de todo algo absurso. Não seria mais justo premiar o trabalhador pelo seu trabalho?....

publicado por Fábio Duarte às 14:19

Após vários meses de “ausência forçada” por, talvez, pobreza intelectual ou, não sendo este o motivo, por preguiça de relato, volto envolvido num sentimento de profunda preocupação com o estado do Estado Português, com a situação económica da República Portuguesa.
Na génese da minha preocupação está, em primeiro lugar, a comparação que têm feito de Portugal com a Grécia no que à probabilidade de default diz respeito. Depois da comparação pelo belo acrónimo britânico PIGS (Portugal, Italy, Greece and Spain que agora deu lugar a Portugal, Ireland, Greece and Spain) enquanto conjunto de país da Europa em cenário de ameaça à sustentabilidade económica, a classificação actual de Rating da República Portuguesa bem próxima à da Grécia vem dizer que estes dois países “são a mesma coisa” (Ricardo Salgado em entrevista ao Diários Económico)!!!. Dizer que um País com um défice orçamental de 9,3% e uma despesa pública de 77% do PIB é igual a outro com um défice de 12% e uma despesa pública de 113% do PIB é, no mínimo, indecente. Mais que isso é comparar dois países, e atribuir-lhes propensão ao efeito dominó, que não têm tradição comercial pormaior. A Grécia não é, de todo, uma Espanha, com as implicações e relações bilaterais que se conhecem.

O problema advém exactamente das classificações de Rating que prenunciam a “banca rota” e a insustentabilidade de um país e dos seus projectos. O resultado mais rápido, por via da especulação crescente, traduz-se na perda de confiança dos investidores que os leva a retirarem os seus investimentos no nosso mercado migrando para outros com classificações mais “seguras”, se é que ainda se pode aplicar este adjectivo ao rating (cada vez que me lembro do AAA da S&P à Lehman Brothers em vésperas de falência…).
Mais do que isto, esta comparação de base especulativa, na minha opinião, vem tornar o financiamento externo mais caro para as empresas e, sobretudo, para o Estado que vê o financiamento da divida engrossar via encargos financeiros. Estima-se que o aumento de um ponto percentual das taxas de juro da divida do Estado induza um aumento do défice orçamental em 0,3%. Se o objectivo é reduzir o défice de 9,3% para 8,3% esta queda na classificação vem impor-se como uma forte adversidade à consolidação orçamental. Fazer cumprir o Plano de Estabilidade e Crescimento até 2013, nesta realidade, é uma tarefa difícil mesmo para um “superministro” das finanças.
Tem-se reconhecido a preocupação em reduzir o défice por via da despesa e não por via das receitas como parecia inevitável para este ano, caminho pelo qual o OE de 2010 parece não optar. No entanto, face a esta degradação, não me perece de todo absurdo que, inevitavelmente, se aumente os impostos indirectos devolvendo para os 21% o IVA máximo.

Preocupa-me ainda mais que a comparação seja motivo e não consequência do degradar do estado de coisas ao nível da Grécia. Preocupa-me que, agora sim, estejamos bem pior amanhã do que já estamos hoje.

publicado por Fábio Duarte às 00:14

Sexta-feira, 25 de Setembro de 2009

Inicio-me, desde já, com um Pedindo Desculpas aos pouquíssimos leitores, que até nem devem ter sentido falta nenhuma das alarvidades deste “BLOG” (entre aspas porque já nem sei se o é), por esta pausa de posts.

Hoje relanço-me empurrado por uma análise óbvia a uma notícia que ouvi na 4feira passada no Primeiro Jornal da SIC: “aumento record das poupanças dos Portugueses para Banca” (nem me recordo se por estas palavra, mas mais uma vez as aspas até que ficam bem!!!)

Depois de ter ouvido tal coisa, rapidamente, e sem grande elasticidade mental, me pus à procura do motivo primeiro que possa justificar o aumento dos milhares de euros depositados na banca e que, assim, constituem poupança. Bem, RESPOSTA: Crise económica Internacional (?)(!). Ora exactamente depois desta, tão óbvia, conclusão me veio um sorriso, igualmente óbvio. É que, curioso ou não, esta foi uma crise de génese bancária. E aí está….CONSEQUÊNCIA: aumento do financiamento da banca a taxas de juro consideravelmente reduzidas junto dos particulares enchendo o balão de ar dos bancos nacionais, um pouco à imagem do que deverá acontecer para lá da raia nacional. Estamos, portanto, a entregar o dinheiro a quem nos obrigou a ter de pensar em poupar (ainda mais)!!!

Se até aqui, haveria certa ironia intelectual, rapidamente, também, me envolvi num sentido de preocupação profunda. Vejam que esta crise internacional implicou a intervenção fulcral dos Estados no investimento, estimulando directamente as economias. Esta necessidade que, quanto a mim, levou muito bem os Estados a assumir o papel de “consumidor-forte”, teve como justificação o fraco consumo dos particulares que, num ciclo vicioso, afectaram a procura e o emprego, por extensão. Assim, numa altura em que este país precisa mais do que nunca de consumir, procurar comprar JÁ, este indicador de aumento das poupanças não é nada favorável, apesar de nós o pensarmos por instinto! Os bancos estavam, com poucos níveis de poupança, a negociar taxas de juro (a pagar) reduzidíssimas! Pensem como será agora então com uma maior oferta de financiamento…não julguemos alavancá-las deste modo. Por outro lado, com taxas de juro baixas para pedir emprestado, era muito importante aproveitarmos a folga da baixa remuneração do capital (juro) para investir em equipamentos e tudo mais que crie procura e mais postos de trabalho que a satisfaçam.

POUPANÇAS AUMENTAM UNS MILHARES DE EUROS…. Curioso “oferecermo-las” à Banca, em jeito de financiamento barato (promovido pela crise que criaram)! Preocupante para o combate à crise…preocupante à criação de riqueza, impossível sem procura!

 

publicado por Fábio Duarte às 21:46

Terça-feira, 04 de Agosto de 2009

Súbitas alternativas e esquivos permissíveis,

Que tanto baralham pensamentos,

E nublam, não me deixam entendíveis,

Pequenos sentidos e intuições e outros momentos.

 

Querendo ser dono de um qualquer destino,

Poucas as escolhas em que não hesitara,

Evitando desfecho cretino,

Com que, várias vezes, tal “merda” de vida nos brindara.

 

Vale-me a capacidade (inata) em te esquecer,

Como que agarrado a um crer inexorável

E desafogo-me em desabafos como que a tudo manda “foder”

Tudo quanto não valha algo de memorável.

 

Em amigos de valor e peso, ou num som arrepiante

É nisso que quero resumir sucessos

E é naquela mulher apaixonante,

Que evitarei um trajecto de troços avessos.

 

…..Fábio Duarte.….

 

publicado por Fábio Duarte às 19:14

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